Organização e funcionamento do mercado cinematográfico e audiovisual brasileiro e internacional.
A distribuição de produtos audiovisuais é um
oligopólio global. Em nível mundial, as receitas do setor estão fortemente
concentrada em sete empresas ou estúdios norte-americanos, que controlam praticamente todos os mercados nacionais:
The Walt Disney Company (Buena Vista, Touchstone e
Hollywood Pictures)
Sony Pictures (Columbia e TriStar)
Paramount (Viacom Inc.),
Twentieth Century Fox (News Corp.),
Warner Bros. (Time Warner Inc.),
Universal (Seagram)
Metro Goldwin Meyer
Além de
concentrado, o setor de distribuição caracteriza-se pela presença de altas
barreiras à entrada de novas empresas decorrentes das economias de escala na
comercialização e também do montante de capital requerido para se manter um
estoque adequado de filmes.
A produção é relativamente desconcentrada, mesmo
dentro de cada um dos mercados nacionais e apesar da integração vertical dos
grandes distribuidores com a produção. O setor de exibição é fortemente
competitivo, devido á acirrada concorrência entre as várias "janelas"
ou veículos de exibição – salas de cinema, locadoras de vídeos, canais de
televisão abertos e pagos – e entre os exibidores de uma mesma
"janela" que ocorre mesmo na presença de níveis nacionais e locais de
concentração elevados. Em ambos setores, as barreiras à entrada de novas
empresas são praticamente
inexistentes (sejam elas oriundas de tecnologias, vantagens absolutas de custos,
diferenciação de produtos ou economias de escala) .
A capacidade do consumidor substituir veículos ou
janelas é característica fundamental da indústria, particularmente para o setor
de exibição. O consumidor demanda determinada qualidade e quantidades de
informação audiovisual para satisfazer necessidades afetivas ou cognitivas
genuínas ou induzidas por mecanismos propagandas e publicidade. O importante,
contudo, é que essa demanda pode ser alternativamente suprida por meio de
vídeos, filmes ou televisão. Devido a isso, exibidores, canais de televisão e
lojas de vídeos se vêm forçados a competir intensamente pela preferência do
espectador, atuando, de fato, como agentes do consumidor final.
A demanda de audiovisuais apresenta ouras
peculiaridades que são, em boa parte, resultado das próprias estratégias de
concorrência das grandes distribuidoras. Assim, as receitas dos filmes e
programas de TV estão fortemente concentradas nos períodos iniciais de sua vida
e devido a acirrada concorrência dos lançamentos apresentam grandes incertezas.
Isso faz com que os participantes da indústria estejam continuamente empenhados
na geração de produtos novos e inovadores cujos orçamentos de produção podem
alcançar dezenas de milhões de dólares desembolsados apenas com base na
avaliação de roteiros e na identificação de alguns dos participantes chave
(produtor, roteirista, diretor e atores). Grandes desembolsos são feitos sem se
testar o mercado e muito antes de se dispor de quaisquer informações quanto ao
interesse dos consumidores.
A instabilidade da demanda dificulta a
transformação de idéias criativas em produtos de sucesso comercial o que se
evidencia pelas várias surpresas e fracassos de lançamentos, estúdios e
indústrias nacionais. O sucesso, contudo, é altamente rentável e, portanto, a
indústria tende naturalmente a um processo de concentração. Contudo, a
cristalização da estrutura concentrada atualmente existente resultou em grande
parte das estratégias de controle do mercado postas em práticas pelas empresas
dominantes da indústria.
- Inovações e custos fixos
Apesar da aura artística, o capital constitui o
fator de produção básico da indústria. A razão é a longa defasagem entre
desembolsos e receitas nos seus projetos de investimentos típicos. Além disso,
os investimentos são elevados, sobretudo tendo-se em conta que produzem produtos
que, por sua novidade, não possuem qualquer garantia de mercado, apresentando
uma vida comercial relativamente curta e imprevisível.
Os baixos custos de reprodução das cópias
contrastam com os altos custos de produção das matrizes originais dos produtos
audiovisuais que, como obras artísticas únicas, constituem casos limites de
diferenciação de produtos. Cada filme ou outro audiovisual é um produto novo
feito por encomenda que requer contratações (no mercado) de mão de obra e
serviços especializados nas mais diversas etapas do processo criativo,
produtivo e comercial – da aquisição dos direitos autorais até o arrendamento
do local de exibição. Devido a isso, os investimentos possuem um caráter
irreversível.
Em cada novo filme ou produto audiovisual, os
custos de contratação dependem do poder de mercado das partes envolvidas e,
portanto, das condições locais e conjunturais em cada caso. Em grande parte
devido a isso, os custos de produção cinematográfica são difíceis de se prever
e independem da escala de produção da empresa, ou seja, o número de filmes por
ano produzidos.
Assim, apesar de uma base tecnológica extremamente
sofisticada, a organização industrial da produção de audiovisuais permanece
fragmentada e semi-artesanal. Muito embora os métodos utilizados sejam
padronizados, sua aplicação em cada novo produto ou projeto é feito de forma
irreversível, diferente, e única, impossibilitando portanto a exploração de economias
de escala na produção.
- Incerteza de demanda e risco
O caráter inovador e único do produto audiovisual
implica necessariamente incertezas significativas em relação à sua aceitação
pelo mercado consumidor e também pouca identificação ou lealdade do público
consumidor com as empresas produtoras, distribuidoras ou exibidoras. Como nas
demais indústria que lidam com arte, é virtualmente impossível saber
antecipadamente se um determinado produto ou filme alcançará sucesso nas
bilheterias.
Essas incertezas de demanda refletem-se nas
oscilações de renda dos exibidores e, sobretudo, dos distribuidores que, além
da volatilidade do público e dos preços de ingressos, dependem da
competitividade do mercado de lançamentos para exibição em cinemas. A
concorrência entre os lançamentos de filmes que se sucedem constantemente
dificulta a previsibilidade das receitas e da duração da vida comercial dos
mesmos. Metaforicamente, o desempenho comercial é descrito como a sobrevivência
em um "torneio" por bilheteria ou público no qual novos competidores
estão sempre chegando e a incapacidade de atingir uma bilheteria mínima
significa a morte.
Em consequência, ocorrem oscilações substanciais
das fatias de mercados das empresas produtoras e distribuidoras de produtos
audiovisuais, sobretudo no caso dos filmes produzidos para exibição em cinemas.
A produção para televisão representa uma exceção em certa medida, pois através
dos programas e filmes seriados consegue-se obter, por um lado, lealdade por
parte do consumidor e, por outro, economias de escala na produção.
Em suma, a indústria de produtos audiovisuais
caracteriza-se pela existência de incertezas significativas na demanda e por
economias de escala substanciais (altos custos fixos de produção e custos
variáveis de comercialização negligenciáveis). As economias de escala atuam
como fortes barreiras à entrada de novos concorrentes no setor de distribuição.
Isso porque as empresas já instaladas no setor fixam preços e quantidades com
base apenas em custos variáveis dados que os investimentos na sua capacidade de
distribuição (estoque de filmes e rede de serviços de distribuição, etc.) já se
encontram amortizados. Por sua vez, as decisões de investimento das empresas
emergentes teriam que basear-se nos custos totais (variáveis e fixos) para
atingir a capacidade de distribuição mínima para competir. Devido às incertezas
da demanda, essa capacidade mínima tende a aumentar significativamente.
A distribuição de audiovisuais é, portanto,
atividade de alto risco devido às incertezas geradas pelas flutuações da
demanda. Algumas grandes empresas explorando economias de escala e seu poder
monopolístico controlam e neutralizam os efeitos das incertezas da demanda
através de uma série de estratégias que impedem a emergência de novos
concorrentes.

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